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segunda-feira, 5 de novembro de 2012


Palavras de Cora Coralina


A VELHA RAPSODA*

Entrevista de Cora Coralina à Dalila Teles Veras

A “Intelectual do Ano” que, no próximo dia 20 [20/10/1984]estará recebendo o Troféu Juca Pato, fala da láurea e de sua poesia
 Fala de longe a velha rapsoda. (Cora Coralina, “Sou raiz”)

Aqui estou, engasgada, abraçando esta pequena e frágil criatura que já viveu quase um século, de mãos incrivelmente marcadas pelo tempo, mas de um olhar  vivíssimo e sábio, de voz firme e pausada, cada palavra parecendo ser degustada como quem experimenta um dos famosos doces, como quem pesa para colocá-la num poema, no verso mais adequado.

Pela segunda vez encontro-me com Cora coralina. Na primeira, descompromissadamente, levava-lhe um poema que fiz em sua homenagem. Desta vez, acorrendo a um chamado seu feito através de sua neta Maria Luísa, na casa da qual costuma hospedar-se em São Paulo, e que, nos últimos tempos, vem organizando os compromissos e a agenda da escritora. Queria saber “coisas do Juca Pato”, quem foram seus eleitores, de que Estados tinham vindo os 430 votos que a elegeram “Intelectual do Ano”.
      
      Não resisto à tentação de registrar – com exclusividade, já que sua generosidade assim o permite – as impressões da primeira mulher a receber o título de “Intelectual do Ano” – Troféu Juca Pato, láurea que há 22 anos é outorgada pela União Brasileira de Escritores e conta com o patrocínio da “Folha”, e que tem premiado os maiores nomes das letras nacionais.

- O que significa para você, como mulher e como poeta, o título de “Intelectual do Ano”?
- Esta vitória tem pra mim o significado de uma consagração de todo meu País, que se movimentou para isso, e aqui vamos contar, além dos eleitores, também os torcedores. Foi o máximo que eu podia esperar no fim de minha vida literária. Estou radiante porque reconheço os valores de meus companheiros que pleitearam comigo a posse do Troféu. Agradeço de todo coração a votação que veio dos Estados  mais longínquos, como Ceará, Amazonas, Acre, Piauí e outros. Significa também a vitória da mulher, que sai do seu apagamento e vem competir com os homens, levando a palma da vitória.

-Cora, qual a sua definição de intelectual?
- Intelectual, homem ou mulher, é aquela pessoa dotada de maior sensibilidade para aprender os lados da vida que parece destituídos de menor valor e que os vai traduzindo numa linguagem poética, literária, exaltando aquela outra face que escapa aos demais.
Mudaram os padrões ou os intelectuais, eu me pergunto? Por que então Cora? Por que esta simples mulher, que sempre cantou sua pequena aldeia, no interior do Brasil? Por que uma poeta, e mulher? Seria pelo fato de ter vivido 95 anos, pela sua fragilidade física e simpatia comovedoras que tantos escritores de todo o Brasil mandaram seu voto para Elegê-la “Intelectual do Ano”? Não, não creio. Esta singular escritora, de sensibilidade e perspicácia invulgares, Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás sem nunca ter freqüentado os bancos de uma Universidade, não pode ser enquadrada nos padrões convencionais deste nosso século. Cora “traz consigo todas as idades” e toda poesia possível, em seu estado mais verdadeiro, brotando dos mais fundos rincões da vida.

- Cora, sabemos que você editou seu primeiro livro aos 65 anos. A poesia aconteceu com mais intensidade antes ou após a publicação em livro?
- Na verdade, a publicação de meu primeiro livro pela José Olympio trouxe pra mim maior estímulo.

- Você declarou numa entrevista que hoje o jovem publica muito facilmente; mas então admite que a publicação estimula o escritor?
- Estimula a escrever mais e melhor, pois a maior dificuldade de um escritor, o maior desafio, é escrever bem.

- E a crítica, como você a encara?
- Desde que construtiva, estimula constantemente. Talvez mais do que a própria publicação, porque a crítica chama a atenção para o autor e, sobretudo, mostra erros e falhas.
Quem leu seus livros e sentiu a tremenda força telúrica que Cora transmite através de sua palavra poética, sabe que ela dá a cada palavra, aparentemente (e só aparentemente) simples, o seu peso justo e insubstituível, com a segurança e habilidade de quem há muito aprendeu a lidar com ela.

Nem historiadora
Nem memorialista

- E o próximo livro?
- Estórias (não vá esquecer que é sem “h”, minha menina) da Casa Velha da Ponte. São crônicas memoriais da minha Cidade. Verdades e mentiras, porque não sou historiadora nem memorialista, apenas e sempre a estória do cotidiano. O cotidiano passado e a sua importância.
            Aqui, a neta Maria Luísa me cochicha que Cora vem trabalhando arduamente nesse livro, refazendo o que não gosta, com a calma e a tranqüilidade de quem age como se o tempo não existisse, importando somente o fazer agora. Há pouco tempo, encontrando-se acamada, ela pilheriou com o médico pedindo-lhe que a tratasse bem, pois não podia morrer agora, porque tinha que acabar o novo livro. Foi então que nos lembramos de perguntar-lhe se tinha medo da morte.
- Não, em absoluto. Não acho que ser velho signifique morrer antes dos demais. Idade não significa exatamente morte. Há uma passagem bíblica que diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Vamos ver como serão essas outras.
            Nem por um momento Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretãs (Cora Coralina – “coração vermelho” -, como prefere ser chamada – “Vaidade... Havia Anãs demais em minha cidade”) faz menção de interromper o bate-papo, e então me animo a prosseguir.

- Você tem vindo muito a São Paulo nos últimos anos. Esta São Paulo de hoje tem inspirado muito a sua poesia?
- Na minha obra, estou muito voltada para o passado de minha cidade, o meu meio familiar e social, o meio humano. Minha cidade que, apesar de pequena, sem grandes concentrações culturais, contém um mundo de recordações, que se prendem à minha infância e adolescência e que eu retrato nos meus livros. Só algua coisa de São Paulo, apesar da grande saga que o Estado oferece. A minha força tribal, as minhas raízes, estão na minha cidade de Goiás Velho. Já a parte rural de meus livros é de São Paulo, do tempo que passei no interior, voltada para as coisas da terra. Essa parte devo a São Paulo.

- Cora, o que você diz do comparecimento maciço dos escritores goianos na votação do Juca Pato?
- É o reconhecimento do meu Estado, e seria incrível que lês deixassem de prestigiar um elemento seu quando todos os outros Estados disseram presente.

- Mas, você soube que o Secretário de Cultura de Goiás votou em Geraldo Mello Mourão?
- Eu soube também que ele tomou umas boas ripadas por isso.

Para finalizar, Cora quem é que você gostaria que estivesse presente à entrega do Juca Pato?
- Os meus parentes, a minha gente, a da velha Goiás, onde nasci e que até agora não me enviou nenhuma manifestação. Lá tem uma Câmara, uma Prefeitura, uma Estação de Rádio. Olha eu estou falando da cidade de Goiás Velho, não do Estado, que é outra coisa! Gostaria também de ver na noite da entrega, todos aqueles que me distinguiram com seus votos, vindos de tão longe.

             Está na hora da velha guerreira dos goiases descansar. Está na hora da doutora, poeta, tão tardiamente aclamada e festejada, recolher-se, recobrar energias para mais um dia, não importa de que tempo for.
Ana-Cora levanta-se, cansada  mas não vencida, apanha as muletas (precisa delas há alguns anos, após ter fraturado um fêmur, e a elas  já dedicou uma ode) recusando a ajuda da neta que esboça um gesto: “ não quero criar dependências”.


- FOLHETIM, Folha de São Paulo, 10 de junho de 1984 -


Elogio do Milho


Leonardo Boff
O presidente da FAO, órgão da ONU responsável pela alimentação e a agricultura no mundo, o brasileiro Graziano, recomendou, durante a Rio+20 ao Congresso Norte-americano que poupasse mais milho, usado nos USA na produção de energia, o etanol, para destiná-lo à alimentação humana. Ele prevê para os próximos anos o cruzamento de duas linhas perigosas: a da falta de água e a do aquecimento global. Tal evento produziria uma catástrofe alimentaria sem precedentes na humanidade, pois destruiria grande parte das safras e aumentaria a desertificação. Neste contexto dramático, o milho entrou a ser uma referencia alimentaria salvadora, o milho humilde que “o Justo não consagrou Pão de Vida” mas que agora simbolizará a sobrevivência de milhões e milhões de pessoas. Em reverência ao milho, publico aqui o poema de Cora Coralina “Oração do Milho” que considero um dos mais comovedores poemas histórico-ecológicos de nossa literatura brasileira: Lboff
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Oração do Milho
Senhor, nada valho.
Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso,
nasce e cresce na terra descuidada.
Ponho folhas e haste e se me ajudares, Senhor,
mesmo planta de acaso e solitária,
dou espigas e devolvo em muitos grãos
o grão perdido inicial, salvo por milagre,
que  a terra fecundou.
Sou planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo
e de mim não se faz o pão alvo universal.
O Justo não me consagrou Pão de Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham na terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre,
alimento de rústicos e de animais de jugo.

Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques
coroados de rosas e de espigas,
quando os hebreus iam em longas caravanas
buscar na terra do Egito o trigo dos faraós,
quando Rute respigava cantando nas searas de Booz
e Jesus abençoava os trigais maduros,
eu era apenas o bró nativo das tabas ameríndias.

Fui o angu pesado e constante do escravo
na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante.
Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam
a vida em terra estranha.
Alimento de porcos e do triste mu de carga.
O que me planta não levanta comércio, nem avantaja dinheiro.
Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paióis.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado.

Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o cacarejo alegre das poedeiras à volta de seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós, Senhor,
Que me fizestes necessário e humilde.
Sou o milho.”

(Cora Coralina, Oração do Milho em Poemas dos Becos de Goiá e Estórias Mais, Global Editora, São Paulo 1985, pp. 163-164)

Como fazer um muro usando garrafas PET





Veja nessa ilustração como funciona a estrutura de muro cuja estrutura é de garrafas PET.



Fundada em 2001 em 
Honduras, a Eco-Tec constrói casas, escolas, e caixas d'água usando garrafas PET. A empresa já desenvolveu mais de 50 projetos para organizações governamentais, ONGs e organizações internacionais. Durante a construção, as garrafas são preenchidas de lama e empilhadas até formarem as paredes. Após completar uma certa altura, os vãos são cobertos de cimento e cal. Uma casa pode ser construída com 8.000 garrafas.

Principais benefícios de uma casa de garrafas PET:

- Baixo custo
- Material resistente
- Absorção de choques bruscos
- Menos uso de materiais de construção
- Fácil de construir
- Construção ecologicamente correta








Reutilize, Repense e faça a diferença:


Como fazer uma estufa com garrafas PET [fotos]



Quer fazer uma estufa, e não quer gastar muito? Você só vai precisar de várias garrafas PET e pedaços de madeira que passem pela boca das garrafas. A madeira será a estrutura que ficará dentro das colunas de garrafas. A cor das garrafas fica a seu critério.
Como fazer uma estufa com garrafas PET

Como fazer uma estufa com garrafas PET

Como fazer uma estufa com garrafas PET

Nova lâmpada com LED dura até 40 anos


São Paulo - A empresa americana Firefly criou uma lâmpada que dura até 40 anos. Com isso, a luz chamada de Firefly LED economiza cerca de 90% da energia usada para iluminar edifícios residenciais ou comerciais.
O objetivo da empresa com esse novo modelo em LED é acabar com as constantes trocas de lâmpadas. Isso também deve reduzir os gastos com iluminação residencial e os problemas com o descarte de lâmpadas queimadas.
Desenvolvida no Texas, a Firefly usa uma tecnologia que consegue reduzir o calor que se forma ao redor da luz. Trata-se de um dissipador de calor capaz de diminuir a temperatura interna em 32%. Isso prolonga a vida da lâmpada por até quatro décadas.
A Firefly também patenteou um sistema para que a lâmpada funcione com apenas 5% de sua capacidade energética. Assim, também é possível economizar uma grande quantidade de eletricidade. 
Além disso, se o usuário quiser melhorar o desempenho da luz ou se a lâmpada parar de funcionar, é possível trocar um pequeno LED que fica dentro da luz. Chamados de Smart LED, os pequenos dispositivos são fabricados pela Firefly. Eles são fáceis de trocar e acabam com a preocupação de descartar ou reciclar a lâmpada.
O produto deverá custar US$ 35 (aproximadamente R$ 70). Embora o preço seja superior ao de lâmpadas convencionais, a tecnologia deve diminuir as despesas de iluminação a longo prazo.

domingo, 4 de novembro de 2012


Hunger: An Ethical and Political Challenge

04/11/2012
Due to the economic contraction caused by the present financial crisis, the number of hungry people has jumped, according to FAO, from 860 million to 1.2 billion. This perverse fact presents an ethical and political challenge. How can we attend the vital needs of these millions and millions of persons?
Historically, this has been a big challenge, because it has never been possible to fully satisfy the demand for food, be it for reasons of weather, soil fertility, or lack of social organization. Except for the first paleolithic era, when the population was small and the means of life were abundant, hunger has existed throughout all of history. Food distribution has almost always been unequal.
The curse of hunger is not actually a technical problem. Techniques exist to produce with extraordinary efficacy. Food production exceeds the growth of world population, but it is distributed badly. 20% of humanity uses 80% of the means of life: 80% of humanity must make do with only 20% of those means. This is where the injustice lies.
This perverse situation is caused by humanity’s lack of ethical sensitivity towards the other. It is as if we had totally forgotten our ancestral origins, and the initial cooperation that enabled us to become humans.
This deficit of humanity results from a type of society that favors the individual over society, that values private property more than solidarian co-participation, competition over cooperation: a society that gives more weight to values linked to masculinity (in men and women) such as rationality, power, and the use of force, than to the values linked to the feminine (also in both man and women), such as sensibility towards the processes of life, caring, and the inclination towards cooperation.
As it can be deduced, the current ethic is egotistical and excluding. It is not at the service of the lives of all, and their needed care, but at the service of certain individuals or groups, to the exclusion of others.
At the root of the curse of hunger lies a basic inhumanity. If we do not strengthen the ethic of solidarity, the caring by some for others, there will be no way of overcoming it.
It is important to consider that the human disaster of hunger is also a political one. Politics relates to the organization of society, the exercise of power, and the common good. For several centuries in the West, and now in a globalized manner, political power has been hostage to economic power, expressed in the capitalist form of production. Profits are not democratically shared to benefit everyone, but privatized by those who hold property, power, and knowledge; only secondarily for the benefit of others. That is why political power does not serve the common good, but creates inequalities that represent true social injustice, and now, on a worldwide basis. As a result, millions and millions of persons have only left-over crumbs that are not sufficient to fulfill vital necessities. Or they simply die from diseases related to hunger, mostly innocent children.
If these values are not inverted, if the economy is not ruled by politics, politics not guided by ethics, and ethics not inspired by basic solidarity, it will be impossible to solve world hunger and poor nutrition. The piercing cries of millions of hungry people continuously rise to heaven, with no efficacious reply from anywhere to silence those cries.
Finally, it must be recognized that hunger also results from the lack of understanding of the role of women in agriculture. According to an evaluation by FAO, women produce a large part of what is consumed in the world: from 80% – 98% in Sub-Saharan Africa; 50% – 80% in Asia, and 30% in East and Central Europe. There will be no food security without giving the women in agriculture more power to decide the destiny of life on the Earth. Women represent 60% of humanity. By their nature, women are more linked to life and its reproduction. It is absolutely unacceptable that due to the mere fact of being women, they are denied title to the land, access to credit, and to other cultural goods. Their reproductive rights are also not recognized, and they lack access to the technical knowledge necessary to improve food production.
Absent such measures, Gandhi’s critique still resonates: «hunger is an insult; it degrades, dehumanizes and destroys the body and the spirit… if not the very soul; it is the most lethal form of violence that exists».